COMÉRCIO DE RUA X COMÉRCIO DE SHOPPING
Aqui, no centro do Recife, o comércio de rua é algo bastante tradicional. Várias pessoas compram no Centro, ou na “cidade”, como muitos chamam, desde pequenos, por costume do pai ou da mãe. Mas comprar no centro recifense não é uma tarefa fácil.
Alguns fatores negativos fazem com que a atividade de ir pesquisar preços e comprar no comércio de rua seja uma tortura. Primeiro, a estrutura das ruas do centro do Recife não foi pensada para comportar tantas pessoas. Passar pelas ruas mais largas, em época de festividades como natal e dia das mães, é muito difícil, pois o fluxo de pessoas é enorme. E a maioria das ruas do comércio são muito estreitas, o que espanta logo de cara uma boa parte dos consumidores. Sem mencionar os buracos nas calçadas, falta de sinalização e o trânsito caótico.
Em segundo lugar, a criminalidade está comendo solta nas ruas. No centro do Recife o que mais ocorre são os pequenos furtos, que têm seu pico novamente nas épocas festivas. Apesar desse tipo de crime não causar danos tão grandes, ninguém gosta de andar pelas ruas tendo que ficar com um olho nos preços e outro nos trombadinhas. Por esse fato também é que muita gente evita ir para o centro, principalmente quando vai caindo a noite.
Além desses fatores, existe um que incomoda muito os comerciantes das ruas do centro: os Shopping Centers. Este tipo de estabelecimento está ganhando uma boa parte da clientela que era assídua nas compras do sábado, no centro do Recife. Colaboram com isso, fora o risco de furto e o desconforto estrutural das ruas, os benefícios fornecidos pelos Shoppings, tais como ambiente climatizado e muitas vagas para estacionar (coisa que quase não existe no centro é vaga para deixar o carro em dia de semana).
Também se pode observar que as pessoas que frequentam os Shopping Centers o fazem por buscarem, além dum lugar cômodo para as compras, uma diversão segura e um local comum a todos para se encontrar, coisa que o centro do Recife não proporciona para sua clientela. Até tentaram com o projeto Ruas-Shopping, objetivando utilizar alguns dos serviços dos Shoppings para recuperar seu público, mas falharam pois não usaram corretamente do conceito e não conseguiram passar para as pessoas a impressam de que estão a comprar num Shopping.
Já vi em noticiários algumas matérias sobre ruas que se organizaram e conseguiram eficientemente combater o apelo dos Shoppings, até obtendo a preferência dos consumidores. Mas não ocorreu o mesmo aqui no Recife, onde os clientes, por mais tradicionais que tenham sido, não resistem e correm para o ar-condicionado e a mordomia daqueles estabelecimentos. Resta aos comerciantes acordar e tratar de se juntar para enfrentar um monstro chamado Shopping Center (ou render-se à ele)!




