EMPREENDEDORISMO: SÓ FALTA UM BANQUINHO!
Sexta passada, como deve acontecer na maioria dos escritórios no Brasil, saí junto com os colegas para tomar alguma coisa e colocar a conversa em dia. Um dos amigos sugeriu que fóssemos nos reunir na rua mesmo, num cara que vende espetinhos assados na hora. De tanto que ele falou bem da iguaria, lá fomos experimentar.
Vimos que o dono do espetinho tem um negócio bem simples: uma máquina de assar espetinhos, uma caixa térmica cheia de cerveja em lata e boa vontade em atender a todos. Comi um dos churrascos e adorei. O melhor espetinho que comi na minha vida. Tomei da cerveja. Ótima, bem gelada, do jeito que eu gosto. Mas, quando procurei um lugar para sentar e relaxar, não encontrei nenhum banquinho. Todos que lá estavam ou ficavam de pé ou tinham que se arranjar sentando onde desse. Apontei isso para os amigos, e eles repassaram para o dono do churrasquinho. O espírito empreendedor que o rapaz teve é extremamente louvável. Mas ele não pode permanecer pensando pequeno.
Espetinho, em Recife, tem em todo lugar. Espetinho como o dele é difícil de encontrar por aí. Então imaginei: se ele já é tão disputado pelos que trabalham na redondeza onde ele fica, como seria se ele deve um pouco mais de conforto aos seus clientes? Baseando na consumação que tivemos naquele dia (em média, dois espetinhos e duas cervejas em lata cada um), isso estando metade de pé e metade sentado incomodadamente, creio que, se estivéssem todos sentados, o ticket médio de cada pessoa ali poderia subir, pelo menos, em 50%. Se fossem colocadas mesas, então, as pessoas poderiam ficar mais tempo por alí, sempre tomando mais uma e comendo mais um.
Casos como esse acontecem com boa parte dos pequenos empresários que não tiveram a devida instrução de como gerir o negócio. Têm um bom produto, simpatia no atendimento e vontade de trabalhar. Não têm noção holística do negócio, não sabem mexer com as finanças e não trabalham o marketing. Dessa forma, correm o risco de serem engolidos pelos que já vêm com mais preparo e recursos, já que, por não administrarem corretamente, acabam por estagnar. E quem não cresce e permanece na mesma, na verdade, regride.
O moço do espetinho, na intenção de melhorar seu negócio, poderia procurar orientação no Sebrae ou mesmo no Senac, que dariam grandes dicas de como progredir com a pequena empresa. Ainda poderia ler sobre isso em revistas especializadas. Ou ainda mais: poderia recorrer a um profissional que observaria os pontos fortes e fracos do empreendimento e ditaria o que ele deve fazer para crescer e prosperar. Negociando preços com ele, sairia barata a consultoria, ou até mesmo de graça, como já vi consultores fazendo quando percebem que o comerciante é esforçado e batalhador.
O que não pode é ele se conformar com o formato diminuto de sua empresa e ficar assim para o resto de sua vida empresarial. Deve ele se especializar no que faz, captar e cativar clientes e se regularizar na hora certa. Quem sabe, daqui a um ou dois anos depois de melhorado o negócio, ele já esteja com sua churrascaria, dessa vez pensando em como fará para abrir uma filial todo ano.
Empreendedores como o do exemplo são praticamente heróis. Vão com a cara e a coragem para o mercado e conseguem sua pequena, mas fiel, carteira de clientes. Recomendo a todos eles que, além de continuarem perseverantes, procurem ajuda para aumentar seu negócio nas fontes certas, sempre buscando crescer e aparecer para os clientes.




