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PRIMEIRO EU, DEPOIS O CLIENTE – PARTE 2: HORA DO ALMOÇO

Na minha última andança pelo centro do Recife vi uma cena de cortar o coração (de um mercadólogo).

Na busca por um presente de aniversário para uma amiga, entramos, eu e minha esposa, numa loja e rodamos por alguns minutos até acharmos um “presente genérico”: uma toalha de banho e outra de rosto. Optamos por esse artigo porque quem comprasse teria direito a bordar um nome de até oito letras, tanto numa quanto na outra. Pegamos as toalhas, mas, ao nos dirigirmos para a máquina de bordar, estava ela desligada e não tinha ninguém por perto. Então procuramos um funcionário da loja para saber a que horas a pessoa estaria disponível para gravar o nome. O moço apontou para uma senhora e disse que era ela quem bordava. Falamos com ela, pagamos, voltamos e ela fez o bordado. Ficou bom, melhor do que esperávamos.

Porém, o que me chateou foi o seguinte fato: quando chegamos não tinha ninguém de olho naquelas toalhas mas, quando a promotora começou a bordar o nome da minha amiga, várias pessoas que por alí passavam reparavam nas toalhas e decidiam comprar, já que poderiam gravar seus nomes nelas de graça. Uma pessoa inclusive demonstrou claramente que só iria comprar por conta dessa promoção. Acontece que a bendita da moça que bordava simplesmente dispensava todos os que vinham, dizendo que as nossas toalhas seriam as últimas a serem bordadas, pois ela iria almoçar. Isso eram 11:30 da manhã.

Me deixou perplexo a atitude da promotora em afastar os clientes que deveria atrair. A estratégia, provavelmente, era que as pessoas fossem impulsionadas a comprar aquele determinado produto por conta de um valor adicionado a ele, justamente o bordado. E quando os passantes viam o bordado sendo feito se sentiam mais dispostos ainda a adquirir toalhas, mesmo não sendo esse produto de conveniência. Tudo isso foi por água abaixo por conta do ato “anti-marketing” da promotora, que teve seu horário de almoço programagado incorretamente: deveria ela ir desfrutar do intervalo após às 13:00 da tarde, já que boa parte das pessoas que poderíam procurar pelas toalhas o fariam no horário mais comum de almoço, às 12:00. Juntando tudo, a consequência foi o efeito totalmente inverso ao anteriormente desejado: promover as toalhas.

Apesar de eu ter falado da promotora, a maior parcela da culpa cai sobre a empresa por não ter selecionado a pessoa adequada para a atividade e por liberá-la para o intervalo na hora mais inadequada. Dessa maneira, não tem estratégia de marketing que dê certo.

Só nos resta pedir encarecidamente, pela ducentésima nonagésima oitava vez, que as empresas coloquem o cliente antes de tudo, até mesmo do sagrado almoço ao meio-dia. Assim aumentam-se as chances de serem vendidas mais toalhas e as organizações progredirem ao longo do tempo.

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Um comentário para “PRIMEIRO EU, DEPOIS O CLIENTE – PARTE 2: HORA DO ALMOÇO”

  • Roberto Lima:

    Olá Gabriel

    Ao ler este artigo, lembrei de uma experiência, que com certeza, contribuiu muito na construção da minha postura em relação ao cliente. Estava num evento para pequenos comerciantes e vendedoes e um dos pontos mas debatidos foi a importância do cliente, ele é o resposável pelo seu sucesso ou fracasso, sendo assim nada é mais importante do que ele, então telefonemas; almoço; ou qualquer coisa que esteja fazendo, os clientes têm prioridade.

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