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RELACIONAMENTO INTERPESSOAL: CONTRA OS PENETRAS!

Organizamos, sempre que podemos, umas festinhas para confraternização dos colaboradores da seção. Na páscoa, no aniversário de alguém ou agora na época de festas natalinas, todos contribuem com uma parcela em dinheiro ou trazendo alguma coisa de comer. Junta-se tudo e é aquela festa.

Contudo, sempre, sempre mesmo, chegam uns penetras para atrapalhar. Parece que eles sentem o cheiro de festa ou algum informante os avisa. Não sei como, mas eles sempre descobrem que tem alguém comemorando e chegam com a maior cara de pau do mundo. Uma coisa interessante: a maioria dos penetras são gerentes de outros locais da empresa, inclusive distantes do nosso setor. Não falo do pessoal da empresa terceirizada de limpeza, que invariavelmente chamamos para “fazer uma boquinha”. Diferente deles, os gerentes não passam por apertos financeiros e por isso não precisam mendigar comida como fazem, até porque ganham muito mais que a maioria de nós, que organizamos a comemoração. O mais intrigante: se por acaso eu ou meus colegas de trabalho passar a 10 metros de distância de alguma festinha promovida por esses gerentes penetras, eles vão logo nos expulsando. Como temos mais dignidade que dinheiro, justamente o inverso deles, não fazemos questão de receber qualquer esmola.

Atitudes desse tipo, acobertadas pela cultura da empresa, ajudam a acabar com qualquer relacionamento saudável. Os gerentes penetras que chegam na festa mas barram os outros, as promoções de cargo que vão somente para os apadrinhados, os méritos ganhos por gestores que não são repassados para os subordinados, os projetos roubados dos operários que são apresentados pelos gerentes aos seus superiores como se fossem seus: tudo isso resulta num clima de desconfiança e hostilidade entre os níveis operacional e intermediário aqui na empresa. Acabam por acontecer brigas, fofocas, insubordinações, arbitrariedades e outras tantas confusões.

O que dizer de uma empresa onde os gerentes foram uma casta que pode tudo, enquanto os “peões” só podem o que eles querem e deixam? Respeito é bom e todos gostam, e ele pode ajudar muito na melhoria de um clima organizacional harmonioso e produtivo. Quando não levado em consideração, como ilustrado pelo exemplo acima, chega-se ao ponto onde colaboradores e gestores cumprimentam-se com uma mão e um sorriso amarelo, segurando um porrete na outra, escondida atrás das costas, prontos para atacar a qualquer sinal de perigo.

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