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VELLKER: UMA SIMPLES CORRIDA

No último dia de 2007, todos se cumprimentaram e correram na preparação das festas em casa. Nos momentos de reflexão, fizeram um balanço do ano que passou e promessas a si mesmos para esse novo ano de 2008.

Lamentamos de forma sincera pelos nossos amigos e parentes que não puderam terminar o ano entre nós, pessoas queridas que ficam como uma lembrança. Mas é a vida, assim, fluindo como uma corrida. Num momento estamos com uma pessoa na corrida da vida, no outro momento não a vemos mais.

E também, já firmada como uma tradição, tanto pelas brincadeiras dos esportistas amadores e também como um teste de resistência para os atletas profissionais de vários países, foi dada largada da corrida de São Silvestre em São Paulo.

Uma corrida de verdade, mas que guarda paralelos com a nossa corrida pela vida. No imenso grupamento de atletas amadores, que inclui desde os brincalhões de todo ano até os mais sérios, que pretendem fazer uma boa apresentação, vai a quase totalidade dos corredores. Num seleto grupo, que se destaca pela capacidade de resistência, vão os atletas brasileiros e estrangeiros, capazes de resistirem horas numa corrida.

De certa forma fazemos isso na vida também. Na vida particular, nas mais variadas profissões e também no sistema político, estejamos nós ou não nesse sistema vital a todos, a nossa corrida pela vida é afetada até mesmo pela performance dos que alí estão.

E temos que destacar o fato de que no sistema político brasileiro, onde deveriam estar os mais profissionais, mais competentes e mais resistentes corredores, que saberiam estar correndo pela vida da Nação, temos, na verdade, um bando que corre de forma tão desajeitada e tão desavergonhada que na corrida como um grupo, caem todos no chão, se machucando, enquanto esses espertalhões, cortando caminho e apelando para as mais variadas trapaças, saem vencedores às custas do esforço e da vitalidade dos outros corredores.

Levam assim um prêmio que jamais mereceram, na verdade roubado do princípio ao fim da corrida, mas é típico desses últimos 22 anos de corrida política que somente esses tipos estejam na frente e em larga vantagem. Enquanto isso, os corredores que compõem o grupo dos cidadãos decentes, melhores e mais bem intencionados, se apoiam uns nos outros para suportarem melhor seus machucados, seu cansaço e seu esforço sem fim. Uma corrida onde suor e sangue se mistura em milhares de sacrifícios anônimos, como um todo da vida ncaional.

Desde os pequenos e bravos sertanejos, que desde crianças suportam as agruras da seca no Nordeste do Brasil, até os esquecidos e sofridos trabalhadores urbanos dos grandes centros, são todos na verdade vencedores olímpicos de uma prova de resistência sem fim. É a esses, que no cenário de nossos corações, estejamos nós onde estivermos nesse imenso Brasil, é a esses corredores de coragem e decência sem par, que devemos, num gesto de respeito merecido, condecorar com uma medalha de honra ao mérito, num momento de reflexão em nossa imaginação. Prezar e premiar a coragem e a honradez desses brasileiros, com uma merecida medalha em seus peitos.

Quanto aos outros, corredores trapaceiros, por ora levam vantagem e correm na frente, nítidamente separados dos demais. Mas a justiça dessa corrida tem seu tempo para chegar. Se observarmos a disposição de um pelotão de fuzilamento, veremos que, de forma semelhante, os que irão ser fuzilados, além de serem poucos, estão também nítidamente separados do grupo de atiradores.

Num futuro não muito distante neste nosso Brasil, será nessa situação em que se verão esses corredores trapaceiros. E serão premiados com uma medalha, por assim dizer, colocada com precisão no peito de cada um. E será por merecimento, com justiça e sem perdão.

Vellker é o colaborador que trata sobre política no Administrando.

Para o Vellker e para todos mais que acessam este humilde blog, desejo que 2008 venha somente de surpresas boas, na administração, na política ou em qualquer outro aspecto que nos afete. Que consigamos cumprir o que prometemos para os outros e principalmente para nós mesmos. E que estejamos cada vez mais próximos dos nossos pares, pois eles é quem são nossos alicerces, e nós os deles.

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