GESTÃO POR (IN)COMPETÊNCIA
Nesses dias, li um pouco sobre Gestão por Competências, pois o tema me interessou bastante. Para quem não sabe ou não se lembra, a prática da Gestão por Competências procura orientar a empresa para o desenvolvimento das competências de seu corpo funcional a fim que se crie um diferencial de mercado. As competências organizacionais são traduzidas em competências profissionais, sendo então desenvolvidas nas equipes e funcionários. Dessa forma, procura-se enquadrar os conhecimentos do capital humano às necessidades corporativas para o alcance do sucesso.
Mesmo assim, enquanto algumas organizações estão caminhando para a evolução da forma como tratar os colaboradores, outras ignoram os novos paradigmas e preferem nadar contra a maré. Fazem justamente o inverso: praticam a Gestão por Incompetências.
Nesse método anti-revolucionário, a organização se preocupa em tornar os funcionários incapazes, premiando os que forem mais incompetentes. Quem estiver se destacando e ávido para aplicar tudo que sabe no intuito de tornar as coisas melhores na empresa deve ser enquadrado no patamar dos reles empregados que nunca se importaram em progredir de carreira. É feito o nivelamento por baixo, e os competentes que teimarem em ser eficientes e dedicados são demitidos.
Falo da Gestão por Incompetência por vivê-la no meu atual ambiente de trabalho. Infelizmente, percebo muito da citada prática na empresa onde trabalho. Aliás, não apenas eu tenho esse pensamento. Muitos dos colegas mais esclarecidos também se sentem incapazes numa organização em que certos funcionários fingem estar doentes para ficar afastados do trabalho com a finalidade de resolver assuntos estritamente pessoais e são premiados com o mesmo reconhecimento que os que procuraram dar o melhor de si durante o expediente. Numa empresa em que ainda existem pseudo-gerentes que comprovadamente são semi-alfabetizados e continuam a gerenciar com mão de ferro e ameaças, com risco que responderem por assédio moral, fica difícil ter suas competências reconhecidas e valorizadas. Assim, acaba sendo melhor ser um funcionário relapso que um eficaz colaborador.
Acredito que a finalidade de um empreendimento querer agir dessa forma com seus empregados é a de condicioná-los a não querer ascender já que vêem que, por mais que se matem de trabalhar, quem ganha o crédito são os preguiçosos. Então, o poder fica na mão dos funcionários “escolhidos a dedo” (como o filho do gerente ou a sobrinha da diretora de recursos humanos). Só as cartas marcadas assumem os altos cargos, enquanto os funcionários desvalorizados se resumem a acatar ordens e continuar de cabeça baixa.
Apesar desse cenário desfavorável para mim, tento não copiar tal cultura organizacional. Sigo na minha própria cultura de fazer o melhor que posso e tentar melhorar cada vez mais em tudo que a empresa espera de mim. Espero assim conseguir que alguma bendita alma gerencial olhe por mim e me dê uma chance de mostrar que posso ser mais do que sou agora. Ou que outra empresa faça isso por mim.




