CALCINHA PRETA E A FALTA DE DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS
Estive em viagem a trabalho por algumas cidades do sertão pernambucano e por isso não atualizei diariamente o blog. Peço desculpas a quem procurou por novos textos por não ter avisado antes.
Viajando pelas intermináveis rodovias entre as cidades, para passar melhor o tempo o motorista decidiu colocar para tocar alguns de seus CD’s piratas. Dentre eles, o mais novo da banda de forró Calcinha Preta. As músicas tocadas não me agradavam nem um pouco, mas naquela situação qualquer coisa estava valendo para enfrentar a estrada.
Ao ouvir as canções da banda, lembrei de um detalhe interessante contido nelas: em todas os vocalistas reservam um momento para dizer o nome da mesma. Fazem isso porque hoje em dia existem dezenas e dezenas de outros grupos musicais que tocam o mesmo estilo e do mesmo jeito. Até os cantores são iguaizinhos, parecem ser gêmeos! Então, para separar quem é quem, no meio da canção pronunciam o nome da banda. É a estratégia de diferenciação mais ridícula que já vi. É como chamar dois carros populares de “veículo 1″ e “veículo 2″. Ou seja, é o mesmo que não ter feito nada.
A diferenciação de produtos é muito importante quando se está num meio ambiente muito concorrido, que é o caso das bandas nordestinas de forró. Através da exposição dos detalhes diferenciadores que distinguem um produto do outro, consegue-se fazer com que o público-alvo passe a dar preferência a um dos dois. A partir daí pode ser trabalhada também a segmentação e posicionamento do produto, buscando a atenção e possível fidelização dos clientes. Com relação à diferenciação, a banda em questão poderia:
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Mudar a embalagem – O time de vocalistas (não sei para quê tantos) poderia usar roupas diferentes da maioria dos cantores dos outros grupos, mostrando uma imagem de personalidade própria;
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Mudar o conteúdo – Poderiam tocar em andamentos não usuais ou adicionar elementos eletrônicos, ou até melhorar o conteúdo das letras (mas acho que aí já é pedir demais), de forma que quem ouvisse os primeiros segundos das músicas de cara reconhecesse como da banda;
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Mudar a forma de entregar o produto – Os shows poderiam ter algum clima característico e que marcasse a memória de quem assistisse qualquer um deles.
Se a banda seguisse pelo menos uma das estratégias citadas acima, talvez já deixaria de ser mais um grupo musical dentre tantos. Subiria um degrau e se destacaria. Se não houvesse sucesso na estratégia, pelo menos não seria “uma banda de forró” e sim “a banda de forró”. Mas acho que isso não interessa muito ao dono da mesma. Então fica o recado: sempre bom trabalhar para que o produto tenha características únicas que imprimam nele uma determinada personalidade, facilitando seu destaque no mercado e o processo de fidelização de seus consumidores.




