VELLKER: LEMBRANDO DE JEFFERSON PERES
Morreu no dia 23 passado o Senador amazonense Jefferson Peres, que desde a década de 50, participando da campanha pela criação da Petrobrás, defendendo o direito soberano dos brasileiros ao petróleo em seu território, deixa como legado histórico uma figura ética e correta, que vai servir de referência aos estudantes do futuro. E de exemplo também.
O Senador que iniciou sua vida política na década de 80 como vereador no Amazonas, foi por seus méritos levado pelo voto popular ao senado, onde teve uma atuação digna de nota, pois sempre se pautou pela sobriedade, correção e ética. Nos noticiários, desde que ele começou a vida política, não se encontra seu nome envolvido em nenhum episódio nebuloso ou de corrupção, como é costume entre os políticos brasileiros. Já nem é um costume, é um meio de vida.
Jefferson Peres era um dos brasileiros que seguia a atitude política de homens como Alberto Pasqualini, falecido na década de 60, político do Rio Grande do Sul, que também teve uma trajetória impecável na vida política, deixando um legado de honradez que poucos igualam. Entre eles está Jefferson Peres.
Hoje, no congresso nacional, contam-se nos dedos das mãos os políticos de atuação relevante em defesa do povo brasileiro e de atitude correta e ética. Com a perda de Jefferson Peres, ao mesmo tempo em que sentimos sua ausência, podemos ver também que, de certa forma, a morte decide em muitos casos levar primeiro os melhores. Não me deixa mentir a horda de corruptos que a cada dia aparece com mais saúde pelos corredores do congresso nacional.
Amazonense, que além de prestar atenção aos problemas do povo do seu estado, também via a dimensão dos problemas relativos à soberania nacional sobre as riquezas minerais, hoje em parte passada para a mão de estrangeiros, o Senador também era crítico mordaz e impiedoso da corrupção reinante na política nacional, em especial no congresso nacional, expondo de forma veemente e incontestável, a sua condenação contra a atitude oportunista e desonesta de muitos membros bem colocados do congresso.
Mesmo nas suas críticas procurava como Senador, corrigir e conscientizar seus colegas de casa para a urgência de uma nova forma de agir, deixando claro para os amigos íntimos, que a continuar a baderna e gatunagem política dos dias atuais, a casa do senado não subsiste por muito tempo.
Também na semana passada, a entrevista do general reformado Leônidas Pires Gonçalves, falando de forma velada que “em 1964 a população saiu às ruas chamando por nós” deu razão às palavras de advertência e nos últimos tempos de desânimo do Senador.
Deve ter o leitor notado que escrevo congresso nacional com letras minúsculas e a palavra Senador para designar Jefferson Peres com letra maiúscula. É assim que se homenageia quem se postou numa atitude de maioridade moral, frente a uma casa que preferiu se tornar minúscula, tão minúscula quanto a postura moral dos que hoje a depredam de todas as formas. Ou melhor falando, impostura.
Vellker é o colaborador que trata sobre política no Administrando.




