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VELLKER: COITADINHA DA IMPRENSA

Saiu, há poucos dias, a condenação da revista Isto É, da Editora Abril, e do jornal Folha de São Paulo e o Globo, no Rio de Janeiro. Em decisões judiciais, O Globo foi obrigado a publicar direito de resposta em 3 páginas do desembargador federal Ivan Athié. A revista Veja São Paulo da Editora Abril e a Folha de São Paulo receberam multas por publicarem entrevistas com a candidata Marta Suplicy à prefeitura de São Paulo, o que havia sido proibido pela Justiça Eleitoral, e a revista Isto É por publicar artigos e denúncias sem comprovação contra o ex-ministro da Agricultura Dejandir Delpasquale.

Imediatamente saíram jornalistas, entidades ligadas à imprensa e ONG’s falando de perseguição, censura, ditadura e tudo mais que pudesse mostrar a Imprensa como a coitadinha das coitadinhas, apedrejada por malvados, indefesa, aos prantos se arrastando no chão, só porque foi falar a verdade.

Infelizmente o retrato da situação hoje no Brasil é bem o contrário do tentam falar essas associações de imprensa, que ao invés de olharem o próprio rabo, se alegram em inventar rabos que não existem nos outros. Seria um assunto cômico se não fosse trágico pela desventura que causam de forma irreversível na vida de muitas pessoas, a licenciosidade com que muitas vezes os órgãos de imprensa destroem a reputação de muitas vidas, para sempre. Isso quando não destroem mesmo essas vidas.

O que é mais triste de constatar é que enquanto no exterior, órgãos de imprensa que publicam denúncias infundadas ou sem comprovação, recebem multas capazes de fazer o jornalista responsável pular pela janela, deixando um bilhete de despedida, ficando a redação num corre-corre para mostrar o que aconteceu, aqui no Brasil, em raros casos quando são multadas em alguma decisão judicial, além de entrarem no conhecido esquema judicial do recorre-recorre, o prejuízo é perfeitamente suportável pelo publicador, que assim não tem bem noção do que é responsabilidade.

Diga-se de passagem, a distinção do jornalismo brasileiro pelo que é verdade factual e pelo que é verdade hipotética é um tanto confusa. Não se sabe se essa confusão existe por costume ou por conveniência, mas como os jornalistas orgulham-se de mostrar seu diploma a todos, parece que a segunda alternativa é a mais lógica, donde concluímos que as escolas de jornalismo vão de mal a pior no quesito do que chamamos de ética.

Uma das coisas mais interessantes que notamos no jornalismo brasileiro é que fluem por todas as reportagens e páginas dos jornais denúncias gritantes contra grupos e pessoas, até aí tudo bem. Já contra jornalistas, nada se descobre, nada se sabe, nada se vê, tudo se ignora. O que deixa os jornalistas na ímpar posição de seres impolutos, honestíssimos e de virtudes inalcançáveis nessa Sodoma e Gomorra que é o mundo do comum dos mortais.

Mas a mais pura verdade é que, se algum dia forem apagar do jornalismo brasileiro tudo o que ele já fez de errado e anti-ético, sobra só o rascunho e olhe lá…

Vellker é o colaborador que trata sobre política no Administrando.
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