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RELACIONAMENTO: A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR!

Uma atitude curiosa, que busca agradar os clientes e acaba desagradando uma parte, acontece com vários motoristas de ônibus das linhas que circulam na Região Metropolitana do Recife: deixar os portadores de carteirinha de gratuidade entrarem no coletivo pela porta de trás (que aqui em Pernambuco é a de desembarque). Explicarei.

Os portadores de deficiência de qualquer tipo, os idosos e, em determinados casos, seus acompanhantes, têm direito a utilizar os serviços de transporte de ônibus gratuitamente. Basta apresentar a carteira ao motorista e usar os assentos especialmente reservados aos mesmos. Acontece que às vezes os acentos estão todos ocupados, haja vista a quantidade absurda de pessoas vivendo no Recife. Então, o que fazem os motoristas bonzinhos? Permitem que os deficientes ou idosos entrem no coletivo pela porta de desembarque, onde existem mais vagas. Isso cria um hábito bom para os velhinhos e os deficientes, que sempre vão sentados. Contudo, os mesmos idosos e portadores de deficiência acabam ocupando os assentos dos que não têm qualquer direito à gratuidade no transporte, que pagam e ficam de pé.

Você poderia me dizer, então:

“Gabriel, como você é mau! Não tem pena dos velhinhos nem dos pobres dos deficientes!”

E eu compreendo a indignação de quem pensou assim. Dou graças a Deus por não ter nascido com limitações físicas, mas, ao longo da vida, poderia me acontecer algo que provocasse isso e, invariavelmente (se eu não morrer antes), vou envelhecer. Mas peço a quem pensou na dificuldade dos idosos e deficientes para pensarem também nos trabalhadores que têm seu direito de ir a viagem sentados impedido por causa de um motorista muito amigo.

Imagine comigo: você acorda às 05:30 da manha e está no ponto de ônibus às 06:30. Pega um coletivo cheio pra caramba e passa de 45 a 50 minutos em pé, até descer dele. Então, pega mais outro até chegar ao trabalho. Passa 9 horas de estresse e depois vai para a faculdade. Sai de lá por volta das 10 da noite, louco para chegar em casa. Aí, quando você pensa que vai “desfrutar” da viagem de volta sentado, vai em pé no ônibus porque tem um senhor de idade, que deveria estar em seu devido lugar, ocupando o assento onde você iria descansar. Isto é justo?

O motorista, infelizmente, comete um erro que ele mesmo não percebe: crente que está ajudando a todos, ajuda uma parte e prejudica outra. Deveria ele, para não pecar pelo excesso, apenas ser justo e dar o direito que cada consumidor que acessa o serviço tem. O portador de carteirinha de gratuidade fica no seu espaço reservado, independente de estar lotado ou não. O que paga a passagem vai para onde tem mais assentos e se virá por lá. Cada um no seu quadrado! Nada de ser muito bom para uns e ruim para outros.

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