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INDICAÇÃO: QUANDO A COMPETIÇÃO É SAUDÁVEL?

Patrícia Bispo

Desde os primórdios da origem humana são registrados momentos de grande competição e que até hoje são lembrados como marcos históricos. [...] Aconteceu em fatos como na guerra que tornou “imortal o lendário” Cavalo de Tróia – registrado na batalha travada entre gregos e troianos.
[...] Hoje, observa-se claramente uma disputa constante entre as organizações, que cada vez mais buscam superar a concorrência e garantir espaço em um mercado extremamente acirrado. 
[...] Para preocupação de muitos dirigentes corporativos, entre os colaboradores nota-se a presença de uma competição onde vale a regra “puxar o tapete”, para conquistar cargos mais elevados ou apenas destacar-se dos demais. Por outro lado a competição não é obrigatoriamente negativa, como muitos pensam.Para Maria Tereza Maldonado, psicóloga e autora de mais de vinte livros sobre relacionamento humano e desenvolvimento pessoal, [...] as organizações podem estimular a competição cooperadora que se manifesta quando as equipes estão motivadas a dar o melhor de si, promovendo o crescimento organizacional. No entanto, para que isso ocorra é necessário que exista um trabalho direcionado às equipes e que participação constante dos gestores de pessoas. Em entrevista concedida ao RH.com.br, Maria Tereza Maldonado apresenta o lado positivo da competição e dos conflitos. [...]

RH.COM.BR – O que podemos compreender por competição cooperadora no ambiente corporativo?
Maria Tereza Maldonado – A competição cooperadora acontece quando as equipes motivam-se para dar o melhor de si mesmas, com espírito competitivo, sem perder de vista os objetivos comuns a todos, ou seja, promover o crescimento da organização e a excelência de produtos ou serviços. E, para isso, é preciso estimular a cooperação.

RH – Em que momento a competição cooperadora deve ser estimulada na empresa?
Maria Tereza Maldonado – Em todos os momentos, porque essa visão deve formar a base da cultura organizacional: o espírito de competição cooperadora fortalece a empresa no mercado e pode existir também entre diversas empresas que, apesar de competirem no mercado, decidem trabalhar em cooperação para aprimorar produtos e serviços.

RH – Quais os benefícios que a competição cooperadora traz ao meio organizacional?
Maria Tereza Maldonado – Considera-se que a competição colaboradora é uma tendência de mudanças organizacionais neste século que pode trazer o benefício de fortalecer as empresas. Em um cenário de mudanças velozes, um imenso volume de conhecimentos e a necessidade de inovação, muitas empresas competidoras estão colaborando para desenvolver e aperfeiçoar produtos e serviços para melhor atender a demanda em nichos de mercado em que há lugar para todos. Isso tem acontecido, por exemplo, na indústria automobilística, de software e em muitas outras. Criou-se, inclusive, uma nova palavra para descrever essa tendência: “coopetição“.

[...]

RH – Quem recorre a essa metodologia não corre o risco de gerar conflitos entre os colaboradores?
Maria Tereza Maldonado – Os conflitos sempre acontecem, nascem das diferenças entre as pessoas. Quando resolvi escrever “O bom conflito“, escolhi esse título que muitos acham polêmico justamente para enfatizar que os conflitos são inevitáveis em qualquer relacionamento, na família, no trabalho ou em sociedade. A grande questão é descobrir como aproveitar o conflito como oportunidade de gerar soluções satisfatórias para todos. Para isso, é preciso sair da posição de adversários para “sócios do problema” e cooperar na busca de saídas para os impasses.

[...]

RH – Qual a principal dificuldade que as organizações encontram ao implantar a competição cooperadora e qual a melhor alternativa para enfrentar esse obstáculo?
Maria Tereza Maldonado – A principal dificuldade é a mudança do “modelo mental“: do individualismo narcisista, ou seja, “meu pirão primeiro“, que se insere no modelo “ganha-perde” – achar que tem que esmagar, eliminar, destruir os outros para ocupar um lugar melhor -, para a visão sistêmica, em que procuramos satisfazer nossas necessidades levando os outros em consideração e percebendo que se contribuirmos para que o mundo fique melhor nós também ficaremos em melhor situação – no modelo ganha-ganha. Não há fórmula garantida ou rápida para implantar a competição cooperadora: cada empresa precisará descobrir um caminho próprio, o que acontecerá se pelo menos uma parte dos colaboradores motivar-se a pensar em conjunto para elaborar uma estratégia sob medida para sua organização.

Fonte: RH.com.br

OBS.: Foi necessário o uso de [...] para adequar o texto ao Administrando.

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