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VELLKER: O GIGANTE CAÍDO

Parece pouco provável aos olhos do brasileiro retratar seus país como um gigante caído, mas longe vão os tempos em que países como o Chile e Argentina nos momentos mais tensos de sua disputa de território, de certa forma esperavam algum sinal do antigo regime militar brasileiro para aí se sentirem mais tranqüilos de que, afinal, seu grande irmão não interviria em nada.

Desde os sucessivos governos civis, a partir de 1985, gradualmente o Brasil foi se enfraquecendo política, militar e socialmente que hoje os países centrais e menos ainda seus vizinhos de fronteira o vêem como um gigante caído. Os tempos em que o Brasil podia representar uma certeza de retaliação política ou militar, no caso de ter território ou interesses ameaçados, já ficaram para trás.

Na época de José Sarney, o governo sempre procurava antever a aceitação dos militares a certas diretrizes, mas a partir do governo Collor o Brasil passou a dar mostras de que sua estrutura de governo se inclinava sim e com toda reverência para as ordens de governos estrangeiros, no sentido de ser cumpridor serviçal de suas diretrizes e idéias. Não interessava o que era melhor para o Brasil e sim o que seria mais conveniente para governos de fora. O gesto do presidente Collor, ao posar para a foto onde sorridente jogava cal no túnel da Serra do Cachimbo e que seria usado para experimentos da primeira bomba atômica brasileira, mostrava de forma degradante o sentimento de servilismo que sempre foi característico das classes governantes dos tempos do Brasil colônia. Com a subida ao poder de Fernando Henrique Cardoso, acentuou-se esse comportamento de sempre entregar a estrangeiros todo o patrimônio nacional em nome de uma suposta modernidade econômica onde o estado não se faria mais necessário, que se traduziu em entregar quase metade do sistema financeiro brasileiro a grupos estrangeiros, quase todas as estradas em boas condições para praças de pedágio européias e americanas e os sistemas e energia e comunicações da mesma forma hoje rendem bilhões de dólares a seus donos forasteiros.

Mesmo Lula, ao ser empossado preferiu contemporizar e aliar-se aos grandes trustes estrangeiros, desde que isso garantisse poder e prestígio para sua sigla partidária e isso tão somente tornasse o Brasil como uma atraente vitrine para investimentos. A tal ponto chegou sua subserviência que, mesmo na época do tão cantado neoliberalismo, onde segundo as teorias o governo devem inexistir, é esse mesmo governo que deixa de aplicar 4 bilhões de reais na previdência social para dar esse dinheiro a montadoras estrangeiras e deixa de colocar 5 bilhões de reais na saúde para financiar a compra de bancos falidos. Mas onde estão agora os papas do neoliberalismo que diziam que quanto menos o estado aparecer no mercado melhor será?

Pior ainda é que com o agravamento das distorções jurídicas e sociais, com o abandono do país como um todo ao incerto e ao inseguro, começam os países mais fracos da América Latina a fazer um jogo de gato e rato com o Brasil, hoje fraco e incapaz de reagir devido aos seus desgovernos. A Bolívia, mesmo em situação de secessão, foi capaz de tirar do Brasil todo o investimento que a Petrobrás colocou lá e sem reação. Eleito no Paraguai, o presidente Lugo já faz exigências de que o Brasil deve pagar mais pela energia de Itaipú, uma das maiores hidrelétricas do mundo construída totalmente pelos brasileiros. No mais recente caso, depois de receber uma usina entregue por uma empresa brasileira e construída com dinheiro emprestado pelo Brasil, o governo do Equador não só confiscou tod o material como também expulsou os brasileiros que lá trabalhavam e ainda informou que não vai pagar o dinheiro que deve.

Esse é o resultado de 20 anos de desmilitarização, de subserviência a estrangeiros e ao mesmo tempo de corrupção desenfreada, de abandono social, jurídico e econômico de toda a sua população, protagonizado por levas sucessivas de governantes corruptos e entreguistas que assim levaram o Brasil a essa situação, vista e aproveitada pelos estrangeiros que um dia tiveram respeito por nós, a de gigante caído. Na verdade mais traído do que caído.

 

Vellker é o colaborador que trata sobre política no Administrando.
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