ARISTIDES: CRÔNICAS DE UMA VIAGEM CORPORATIVA – TEMPORADA DE VERÃO
Em nosso primeiro encontro de 2009, gostaria de escrever algo contemporâneo, ou seja, um texto sobre a temporada de verão. Por uma série de motivos que não cabem ser discutidos aqui, o Brasil historicamente fomentou sobremaneira o turismo de “Sol e Praia”. Nada mais natural para um país que possui aproximadamente 8.000 Km de litoral. Escrevo de um destes trechos de nossa costa, Santos (SP), região metropolitana da Baixada Santista. Este pedacinho do litoral brasileiro chega a receber três milhões de visitantes agora no verão. Então, você já deve imaginar o cenário: filas (e os furadores), barulho (e o hino “chupa que é de uva”) e trânsito infernal (e acidentes, motoristas alcoolizados, desrespeito às leis…).
Existe um conceito bastante interessante que diz respeito às funções que as cidades exercem. Em Santos, a praia – de cerca de 6 Km – possui uma série de funções, mas a que destaca-se é o lazer, em seu significado mais amplo. Esta função ganha no verão um sentido maior e, além disso, mais adeptos. Entretanto, a avenida da praia é a principal via expressa da cidade. Esta avenida liga três municípios. Desta maneira ela possui uma função econômica marcante. Está formado o conflito pelo uso do espaço!
A Secretaria de Turismo gostaria de interditar a avenida da praia todos os domingos, já a Secretaria de Obras pretende implantar mais vagas de estacionamento ao longo da via, por exemplo. O bom gestor público conciliará estes interesses. Quando viajamos a trabalho utilizamos uma série de serviços e até sem querer esbarramos na questão da funcionalidade das cidades.
Recentemente vivi duas experiências neste sentido. A primeira foi em Vitória (ES), onde o aeroporto localiza-se a menos de mil metros da praia de Camburi, da avenida principal que leva ao município a Vila Velha e das pontes que ligam Vitória ao continente. Você gasta cerca de R$20,00 de taxi entre o aeroporto e a Praia do Canto, bairro dos principais hotéis voltados ao público de negócios. A segunda foi em Foz do Iguaçu, onde o aeroporto está a R$40,00 do centro comercial da cidade. Ao turista que demanda Foz por lazer isto é bom, pois ele localiza-se a poucos metros da Avenida das Cataratas, onde ficam os principais hotéis voltados ao público de lazer. Isto parece não significar muito dentro do mundo das viagens corporativas, mas note que estes deslocamentos demorados podem exigir um pernoite a mais no destino. Assim, o que eram R$20,00 (diferença da tarifa do taxi) a mais tornaram-se R$200,00 (esta diferença + jantar não incluso na diária + hospedagem + nova viagem de taxi no dia seguinte).
Parece loucura, mas é em cima destas reflexões que o turismólogo (ou bacharel em Turismo) trabalha para não inviabilizar determinadas funções dos municípios. Para fechar o assunto e chegar ao ponto, preciso destacar que não existem apenas problemas na questão do turismo urbano – seja de negócios ou lazer. Os conflitos surgem apenas quando uma função sobrepõe-se a outra. Exemplos? Vamos lá:
- Interditar a avenida da praia de Santos para uma atividade de recreação infantil sobrepõe a função lazer à função comercial;
- Por outro lado, jamais realizar uma atividade de recreação gratuita na praia de Santos sobrepõe a função comercial à função lazer.
São conceitos simples cuja presença você perceberá em sua rotina. Se tens um home office, por exemplo, sabe-se que sua função é trabalho. O som alto do quarto de seu filho adolescente – função área de lazer – pode sobrepor seu interesse de trabalhar na tranqüilidade do lar.
Espero que o ano de 2009 tenha a função de lhe tornar uma pessoa melhor. Desejo que este ano tenha a função de lhe aproximar mais das pessoas importantes em sua vida. Que 2009 tenha a função de eternizar as suas realizações. Meus votos são de que nenhuma outra função sobreponha à de você ser muito, muito feliz!
Um forte abraço!
Aristides é o colaborador que trata sobre gestão da hospitalidade no Administrando.





[...] Nós, profissionais do turismo, temos de planejar quais atividades acontecerão em quais locais de nossas regiões de origem. É o âmago de nosso trabalho: planejar o consumo do espaço turístico, sem que este sobreponha-se sobre as demais funções da região. Escrevi sobre o tema em um artigo passado sobre a temporada de verão. [...]