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VELLKER: OS BONS AMIGOS

Cesare Battisti, que está em vias de ser libertado e poder andar traqüilamente pelas ruas do Brasil, em nova jogada para aliviar sua situação, declara que na verdade não matou ninguém, que o que acontecia na Itália da década de 70 era uma guerra civil. Os familiares das vítimas de Battisti podem ficar confortados e perceberem que durante anos pensaram, de forma equivocada, que seus parentes tinham sido mortos por ele. A guerra é a culpada.

Resta saber quem vai dar a notícia ao filho do cidadão que ele matou e que hoje se encontra numa cadeira de rodas, em resultado do tiro que tomou quando seu pai trocava tiros com Battisti e seus amigos. Também um açougueiro e um joalheiro que foram mortos devem entrar para o rol dos culpados, já que Battisti agora põe a culpa na guerra civil, da qual só ele tem conhecimento. No caso do joalheiro, que reagiu a um assalto dos seus comparsas, a situação é mais complicada ainda. Cesare Battisti e seus amigos reunidos decidiram pelo justiçamento do joalheiro, considerando-o “contra-revolucionário”, uma vez que ele havia reagido contra seus assaltantes.

Fica Battisti na situação ilógica de ter participado do assassinato de um cidadão exatamente porque ele reagiu contra uma violência, enquando que Battisti e seus amigos achavam a coisa mais normal do mundo sairem assaltando e baleando pessoas em nome de um ideal esquerdista, esperando que elas nem mesmo telefonassem para a polícia.

Nada existe no exame político dos atos de um cidadão que seja errado numa rebelião contra um governo injusto. Grandes democracias e grandes civilizações derivaram disso. Porém, no caso de Battisti, com o padrão de vida que a Itália dava a seus cidadãos e ainda dá, fica meio difícil usar esse argumento. Mesmo sem editar uma lei que fosse contra as liberdades democráticas, conseguiu o governo italiano derrubar e levar para a cadeia esses pretensos “libertadores” do povo italiano e por uma razão sólida: nenhum apoio o povo italiano deu a essa gente, já curtido na experiência do fascismo de Mussolini e sabedor de que a única “liberdade” que Battisti e seus amigos queriam implantar era a mesma que existia nos países ocupados pela extinta União Soviética em nome da “fraternidade comunista” da qual todos os povos, inclusive os russos, trataram de pôr abaixo assim que foi possível.

O caso Battisti, com seus defensores mundo afora, alguns ainda foragidos de seus países, onde foram condenados à revelia, lembra muito o filme “Os Bons Amigos“, onde um ex-mafioso relembra em suas memórias a vida que levava com seus amigos do crime, as traições, assassinatos, assaltos e tudo mais. Ao relembrar de tudo, protegido pelo governo americano por ter aceitado testemunhar em troca de proteção, parece um retrato antecipado do caso Battisti. Claro, com a diferença de que ele jamais disse que assaltou e matou porque a América passava por uma guerra civil. Apenas disse que havia entrado no crime porque gostava e que agora estava delatando todo mundo para continuar vivo.

Sem contar que, ele como ex-mafioso, era amigo apenas dos guardas da penintenciária. Jamais deve lhe ter passado pela cabeça ser amigo de algum ministro. Isso sim são bons amigos. Isso sim daria um bom filme.

Vellker é o colaborador que trata sobre política no Administrando.
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