MERA COINCIDÊNCIA
Por Enrico Cardoso
A realidade não é tão bela quanto parece. Não sei se isso é bom ou ruim. Sonhos muitas vezes não são aplicáveis à realidade; pessoas constantemente vivem fugindo de seus erros; diariamente a culpa é jogada nas costas do mais fraco, que luta mas muitas vezes carrega todo o peso. A mediocridade, a fraqueza e o orgulho assolam o mundo. No Brasil, não é diferente, e talvez seja bem pior porque aqui a ignorância contamina grande parte da população, que, por incompetência ou maldade, acaba por ser nivelada por baixo.
Somos bombardeados pelo ridículo, pela mediocridade e a armadilha que tenta nos prender a isso tudo é difícil de escapar. Afinal, entre novelas, reality shows e muita cultura inútil é difícil discernir para qual caminho seguir. Existe um complô. Existe um pacto que prefere que sejamos medíocres, sem informação. Já na antiguidade as pessoas eram abusadas por não saberem ler; hoje somos abusados por não sabermos interpretar. O que mudou? Apenas a forma, porque o conteúdo continua o mesmo. Afinal, é muito mais fácil ter qualquer tipo de vantagem em cima de qualquer imbecil que de pessoas cultas, bem-informadas e que saibam interpretar a realidade do jeito que ela realmente é.
Eu queria pensar que não escolhemos os nossos políticos com a mesma eficácia que escolhemos os ganhadores dos Big Brothers, Ídolos, e etc., mas a realidade me faz acreditar que eu estou plenamente errado. Alguém duvida? Mensalão, cartões corporativos, fraudes e suborno, bancos mandando no governo, e todo esse blá, blá, blá. Isso é reflexo dos reality shows na escolha dos líderes. Afinal, não importa a competência, vale quem joga melhor e parece mais legal. Até por que, como nos reality shows, a política é um passaporte para grande somas de dinheiro. Eu gostava de política. Eu acho que ainda continuo gostando, parei de gostar é da forma como o povo encara as coisas. E o pior é que vejo essa cultura impregnando as empresas. Pessoas abrem empresas para ficarem ricos, tornarem-se chefes e mandar nos outros, pelo poder, não pelo ideal. A pessoa política dentro de uma empresa é promovida, o sincero é demitido. Sumiram os empreendedores apaixonados, os que lutam por um ideal, por uma cultura e que assumem a responsabilidade pelo sucesso da empresa? Ou eles estão de férias? Já sei… talvez tenham se cansado dos papos de Big Brother na conversa do cafezinho, na hora do almoço, no momento de tratar com o cliente e sumiram, foram embora, tamanha mazela que assola as empresas brasileiras. Depois, os funcionários não sabem o porque de terem sido demitidos.
A mediocridade, o nivelamento por baixo, a falta de interesse pelo que realmente importa está contaminando as empresas. Um reflexo de tudo que está acontecendo no país chega ao ambiente empresarial. Será que os empreendedores e as pessoas apaixonadas pelo que tem que ser feito fugiram, ou a lavagem cerebral funcionou?
Uma empresa é feita de pessoas. Pessoas inovadoras, empreendedoras que pensam no negócio, no futuro da empresa e se sentem donos daquilo que trabalham, no projeto que se envolvem e se doam. Será que isso ainda existe? Se não existe mais, está comprovado o motivo da falta de inovação em todos os lugares: política, escola, empresas e família.
Acorda! Tá na hora de mudar o mundo… pra melhor! Por resultados, por inovação, pelo fazejamento, pelo empreendedorismo, pela realização, pela história. Por nós mesmos. Ou você vai ficar aí parado?
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