POR QUE OS OPERADORES DE TELEMARKETING ACHAM QUE SOMOS SEUS ESCRAVOS?
Nas últimas semanas recebi dois incovenientes telefonemas de operadoras de telemarketing.
A primeira queria me oferecer um plano de minutos da Claro. Só que a mulher liga para mim sem nem saber meu nome ou qualquer outro dado meu, dizendo que tinha apenas o número, que foi repassado por meio de uma lista trocada entre as operadoras. Mesmo desconfiado, deixei que ela falasse alguma coisa. Perguntou meu nome, o lugar de onde falava, quanto gastava na conta. Não respondi as perguntas e pedi que ela fosse direto ao assunto. Ela enrolava e fazia novas perguntas, as quais não também respondia e dizia novamente para ela finalmente dizer o que queria. Em certo momento ela se irrita e se despede rispidamente. Outra foi uma da Nextel, que já veio com mais propriedade e técnica, dessa vez por indicação de um amigo, mas, mesmo assim, com o mesmo papo furado de perguntar e perguntar antes dizer o motivo da ligação. Ela falou que aquilo acontece porque sem as tais informações seria impossível fazer a oferta. Considerei aquilo uma invasão de privacidade e dispensei a oferta sem responder às indagações da operadora. O que acontece é que os operadores acham que devemos sim responder tudo. Por que eles acham que somos seus escravos?
Mesmo com a desculpa de que estão ofertando uma maravilha de facilidade, a coleta das informações serve também para que a empresa alimente seu banco de dados e, em outras ocasiões, volte a ligar e a encher o seu saco em outras oportunidade mais incovenientes. É uma pena que aqui em Pernambuco ainda não existe uma lei que impeça os operadores de acabar com nossa paciência como a que existe em São Paulo.
Não sei se existe uma meta de captação de informações para cada operador ou se foi feita neles uma lavagem cerebral, mas o que acontece é que, em quase todos os casos, eles acham que temos a obrigação de cooperar, lhes dando informações pessoais que podem ser utilizadas sei lá para quantos fins. E quando não nos submetemos, ficam raivosos e toda simpatia e meiguice dos primeiros segundos de conversa se torna uma ácida despedida formal, quando não desligam na nossa cara.
Acredito que as empresas de telemarketing poderiam dar um treinamento melhor e mais constante aos operadores para que situações constrangedoras com as que passei não se repetissem e não fizessem os clientes, além de não responderem aos interrogatórios, odiarem o telemarketing. Talvez pudessem aplicar coisas do tipo:
- Usar métodos de abordagem mais diretos: uma vez me ligou uma garota oferecendo um cartão de crédito. O script (o que é script?) que ela recitou levou longos minutos, como se eu estivesse disposto a ouvir aqui tudo, apenas para falar das incríveis e formidáveis vantagens daquele produto. Sabe o que fiz? Deitei o celular na mesa e continuem a trabalhar. Depois de um tempo voltei ao telefone e ouvi a operadora chamando: “Senhor? Senhor?“. Voltei a falar com ela só para dizer “não quero” e desligar. Um meio mais interessante e curto de abordagem faria muito mais efeito. Após a conquista da atenção, aí sim seria o momento certo para dizer meia hora de características do produto, já que o cliente estaria realmente interessado em ouvir;
- Comprovar a seriedade do contato telefônico: dar informações sobre o cliente mostra que o operador sabe o mínimo sobre ele para poder lhe tomar preciosos minutos de sua vida. Quando alguém liga para mim sem saber nada sobre minha pessoa e ainda querendo que eu lhe entregue informações, passo a desconfiar da ligação, pois tanto pode ser uma operadora quanto a namorada de um presidiário querendo dar um golpe para pegar créditos para o celular de seu digníssimo namorado encarcerado;
- Ter limite: os operadores deveriam saber até onde podem entrar na vida de um indivíduo sem incomodá-lo. E quando acontecesse o incômodo, deveriam compreender e deixar outros meios para que a pessoa abordada possa comprovar a veracidade do telefonema e entrar em contato, se quiser, para demais informações;
- Despedir-se corretamente: além de tudo isso, despedir-se educadamente evita deixar uma péssima impressão. Quando alguma menina da Claro ligar para mim novamente, sabe para onde eu vou mandá-la? Acho que sabe sim…
Eu sei que os operadores de telemarketing enfrentam muitas coisas em seu trabalho diário. Desde clientes quase surdos até aqueles chatos de galocha, passam maus bocados e têm um nível de estresse muito grande a ser desafogado. Contudo, nada disso justifica descontar a raiva acumulada nos outros, muito menos os que não fizeram nada além de preservar sua privacidade, coisa que todos deveriam fazer. Quando alguém de alguma operador te ligar, tome cuidado no que vai responder, pois poderá estar apenas alimentando-os de vontade de te ligar mais e mais vezes.
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