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CENAS DOS PRÓXIMOS CAPÍTULOS

Por Enrico Cardoso

Alguém se lembra por que as empresas existiam no início do século passado? Por que existia a Ford, as grandes companhias de aço, as petrolíferas, os super mercados, a padaria? Alguém lembra o que marcou a primeira e a segunda revolução industrial? Pois é, de lá pra cá as coisas mudaram.

A tecnologia foi a grande terceira revolução industrial, e as empresas do silício vêm a cada dia mais substituindo as empresas da era do ferro, dos tempos modernos de Chaplin. A tecnologia, a informação, a educação mudaram a forma das pessoas fazerem negócios. Estamos prestes a presenciar a quarta revolução industrial em um momento em que informação, conhecimento, postura e senso de urgência são um grande diferencial. Por que as pessoas criavam negócios no início do século XIX ou XX? Para oferecer um serviço à população. Para que você tivesse um carro, o pão fresco, o leite, o almoço, as matérias primas. As empresas eram abertas simplesmente para oferecer uma coisa ao consumidor, algo essencial para o seu dia-a-dia.

E eu arrisco a dizer que essa forma de negócios está morrendo. A crise afetou as mineradoras, as siderúrgicas, as grandes companhias. Por que? Por que estamos no século da informação, da cultura, do relacionamento, das pessoas, e das comunidades. As pessoas não compram mais apenas por causa de um serviço ou produto oferecido. As pessoas compram por vontade, por impulso, e não mais somente por necessidade.

O que eu quero dizer com isso tudo?


Que a era do ferro, das mineradoras, do petróleo, do aço, da mão-de-obra, está morta e enterrada. A Petrobras, a Vale, a CSA, a CSN, a Votorantim e toda essa galera vai estagnar. Por quê? Por que não tem mais pra onde ir. Eles continuam fazendo as mesmas coisas que sempre fizeram, de acordo com o mesmo ISO 9001. Não há inovação, não há revolução. E continuar fazendo as coisas do mesmo jeito é passaporte pro atraso. O que cresce são as empresas jovens, inovadoras, que agregam serviços, produtos, comunidades e pessoas ao redor de uma história – eu chamo essa era do silício porque o Vale do Silício, nos EUA, é onde estão sediadas algumas das mais inovadoras empresas do mundo.

Hoje as pessoas precisam de história para se interessar. De cultura, de dedicação. De liberdade. As pessoas que estão escrevendo a primeira parte da história desse século são jovens, e geralmente trabalham no negócio de relacionamento. Seus produtos e serviços são consumidos porque atrás deles existe uma história, uma cultura, um modus operandi diferente, voltado para quem se identifica com a visão da empresa. Pessoas diferentes vêm coisas diferentes. A geração Y, que cresceu no legado de HP, IBM, Microsoft e companhia limitada sabe que, muito mais do que muito conhecimento financeiro e administrativo, é preciso uma boa idéia na cabeça, uma ótima história, e muito mais ação. Como eu gosto de dizer, boas idéias não resistem no tempo sem ação. Mas ação sem boas idéias, não é nada no tempo. Ou vocês vão me dizer que sentem saudade dos tempos modernos de Charles Chaplin?

Acorda! Tá na hora de mudar o mundo…

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