A MORAL
Por Vellker
Aquilo que uma sociedade costuma chamar de moral, por consenso universal refere-se a uma atitude correta e justa no proceder de uma pessoa, coletividade ou instituição. Independe de leis, pois tanto quanto para um doutor em Direito em sua biblioteca quanto para um aborígene em sua aldeia, o que qualificamos como roubo em nossa sociedade é clara e imediatamente identificado pelos dois. O doutor em Direito dirá que se trata de um roubo quando alguém pega um livro de sua biblioteca após entrar alí arrombando a sua porta de madeira trabalhada e chamará a polícia. O aborígene dirá que se trata de um roubo quando alguém pega algum pertence em sua choupana após entrar alí arrebentando a porta de palha trançada e sairá atrás do ladrão de lança na mão.
Independente do nível cultural e econômico, um no alto da vida civilizada e o outro no fundo da vida selvagem, terão a mesma reação. Sabem distinguir perfeitamente o que é moral e o que é imoral.
Entre a linha que demarca esses dois seres, um civilizado e um incivilizado, o congresso nacional (é com letra minúscula mesmo), na figura de seus representantes máximos e mínimos, tenta passar para o povo brasileiro a postura de uma instituição de políticos sérios e preocupados com o bem-estar da nação brasileira, numa fútil tentativa de disfarçar seus delitos, cometidos, ao que estamos sabendo agora, desde idos de 2003, com os agora famosos atos secretos.
O congresso nacional nos dias de hoje se assemelha mais a um desses cassinos clandestinos que volta e meia são invadidos pela polícia após denúncias, porém, esse congresso, estando na invulgar situação de ter se tornado um local onde se cometem fraudes, mas é que é o redator das leis do país, está assim a salvo da polícia, que sequer pode pensar em chegar perto de suas portas.
Posto que foi dito, que por consenso universal temos a noção do que é moral e imoral, depois de ter se desmoralizado publicamente com as denúncias sobre os atos secretos, onde parentes e apaniguados eram nomeados para cargos inúteis com altíssimos salários, tentam agora os membros mais altos do congresso, a começar pelo seu presidente José Sarney, que invoca para se proteger um dimensão histórica de sua pessoa que faria a tristeza de qualquer aborígene honesto, enquanto que os membros mais baixos, tendo a sorte de não serem procurados pela imprensa, se limitam a receber seus salários todo mês e assim, aconteça o que acontecer, estarão pelo menos com os imorais vencimentos de um mês a mais nos bolsos, continua o senado seguindo sua vergonhosa mas desejada trilha de atos secretos, apenas por enquanto congelados até criarem um novo nome para isso, em favor de tudo que seja imoral. A atual encenação de indignação do alto e baixo clero, como é dito no jargão político, limita-se a ganhar tempo até um novo escândalo ganhar espaço nos jornais.
Até mesmo o chefe da mais selvagem das tribos ficaria envergonhado se soubesse do papel do chefe Lula, atual morubixaba da tribo brasileira, que, sendo civilizado (ao menos supõe-se), tenta de todas as formas defender o senado e seu presidente José Sarney. Entenda-se nessa defesa a proteção da aliança do PT com o PMDB para disputarem as próximas eleições presidenciais. Esse é o único e claro objetivo de Lula, apesar de sua ideia de que não tenham percebido isso.
Enquanto isso, o doutor em Direito de um lado e o nosso inculto aborígene do outro, vêem de lados opostos, todos esses vergonhosos personagens políticos passarem de fininho entre o que é moral e imoral.
Na verdade, o senado, José Sarney, os atos secretos, Lula e seus apaniguados ficam histórica e irremediavelmente condenados pela postura moral e abrigados pela postura amoral e sob a sombra do que é imoral, coisa que escolheram de forma premeditada.
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