TROPA DA ELITE
Por Vellker
Começou e terminou a semana passada com os acontecimentos no congresso nacional (é em letra minúscula mesmo) a todo vapor. O assunto dos atos secretos, onde amigos e parentes dos senadores foram beneficiados com nomeações e vantagens obscenas, agitou tanto a cena política que todos trataram de tirar proveito da situação, menos o cidadão brasileiro, que, como sempre, se resignou a ler os jornais e também o resultado das contas do imposto a pagar. Afinal, alguém tem que financiar a farra dos políticos.
Sendo os milhões de contribuintes da Receita Federal muito cuidadosos, poucos erram ao declararem seus bens e patrimônio para evitarem uma multa. Seguindo caminho contrário ao dos cidadãos comuns, um dos principais implicados no caso dos atos secretos do senado, no caso o senador José Sarney, presidente, por enquanto, do senado, cometeu o pequeno erro de “esquecer” de declarar uma mansão de sua propriedade no valor de 4 milhões de reais, talvez porque estivesse muito ocupado pensando nos discursos que iria fazer ao invés de prestar as devidas contas para o fisco. Em todo caso, sua assessoria de imprensa já colocou a culpa em algum contador. Além de ir na contra-mão dos cidadãos contribuintes, Sarney caminha na mesma direção de um dos ex-diretores do senado, Agaciel Maia, que também se “esqueceu” de declarar sua mansão de 5 milhões de reais.
Apesar dos protestos de que Sarney não deve ser condenado, que tem uma presença histórica e coisa e tal, o discurso do presidente Lula definitivamente não convenceu a opinião pública, que notou no presidente do senado a espertíssima posição política de discursar sobre moral e bons costumes enquanto espera a poeira baixar. Quanto aos atos secretos, que ocorriam desde 2003 e passam de 600, ele nada fez nem nada vai fazer contra, mesmo porque seria ir contra seus amigos não só do PMDB como de outros partidos.
Vendo que a posição dele já estava na situação do folclórico “balança mas não cai”, até a ministra Dilma Roussef, mesmo visivelmente desgastada pelas sessões de quimioterapia, levantou sua enfraquecida voz a favor do senador, uma vez que ela e Lula contabilizam de antemão os prejuízos políticos para sua candidatura na eventual renúncia do presidente do senado, que nada por nada é membro do PMDB, que fez uma aliança com o PT de olho nas eleições presidenciais de 2010. Dizendo que Sarney não deve ser demonizado por atos de outros e evitando tocar na tecla de porque o presidente do senado não escancara de vez o que aconteceu, a ministra Dilma fez o que pôde, mas também caiu junto com Lula na desconfiança da opinião pública.
Para dar uma pausa aos falantes já cansados de tanto falatório sem resultados, o PT chamou sua outra voz de plantão e sempre às ordens, a de Ideli Salvatti, senadora catarinense pelo PT e conhecida últimamente como a mais fiel trombonista política do seu partido, que prontamente subiu na tribuna do senado e fez um discurso defendendo José Sarney de todas as formas possíveis, mas mesmo assim seus protestos passaram no máximo em branco.
O que se denota de tudo isso é a vergonhosa atuação de um presidente como Lula, que se nos anos 90 chamou o congresso de um bando de picaretas, hoje se alça, ou melhor, se rebaixa de forma voluntária à condição de galpão de guarda de todas as ferramentas de arrombamento de que dispõe o senado nacional. O arrombado como sempre é o patrimônio do povo.
Já a ministra Dilma, que nos anos 70, travestida de guerrilheira Vanda, pegou em armas dizendo defender a democracia e lutar contra as classes exploradoras dos trabalhadores, hoje decidiu trocar de lado e sem meias palavras aderiu às classes que um dia disse combater, hoje na defesa do conservadorismo político.
Ideli, já revendo seu futuro político, marcado pelo seu modo servil de discursar exatamente como os políticos mais conservadores e atrasados que o Brasil já viu no passado, pode esquecer de falar em seus discursos ao povo de seu estado e também do Brasil de qualquer idéia de defesa dos trabalhadores, os quais dizia defender em seu cargo.
O que parece mais triste em tudo isso, relembrando a biografia dos três, é que fazendo uma comparação com os soldados do filme “Tropa de Elite” que realmente lutavam para acertar as contas com os bandidos fosse como fosse, neste caso, Lula, Dilma e Ideli fazem o papel não de uma tropa de elite, mas sim de uma vergonhosa Tropa da Elite.
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Muito profundo mesmo… Os seus conhecimentos sobre política são fantásticos.
Acredito que a melhor coisa que aconteceu à política brasileira foi a criação do programa CQC.
Com ele o povo está muito mais por dentro do que acontece no planalto central e não mais um punhado de números que acompanha tudo por um ou outro meio manipulado pelo próprio governo.
O que está acontecendo é uma vergonha para nós e deveria ser uma vergonha muito maior para a “Elite” que, com ajuda desta “Tropa” ignora os apelos públicos até o momento que isso for mais benéfico para ele.
Infelizmente, daqui 10 anos, ele se canditará de novo e, tendo em vista a pouca memória do povo brasileiro, se reelegerá.
Aquela frase de que a “história se repete, só mudam os personagens” não se aplica ao brasil, pois, aqui a história se repete e os personagens também”.
Eu acredito em um país melhor.
Mas não com essa corja no poder!
Abraços, excelente texto