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MICHAEL JACKSON E O MARKETING POST MORTEM

Estava esperando o elevador descer quando chegaram três meninas, provavelmente entre 11 e 12 anos de idade, que também iriam usar do elevador. Subimos juntos e vi na mão de cada uma delas uma foto do Michael Jackson. Era uma montagem muito da esquisita, mas as três pareciam bem empolgadas em tê-las. Perguntei onde tinham conseguido e me disseram que um homem estava a vender essas fotos na esquina da rua. Brinquei com elas sobre a veracidade da foto e rimos um pouco. Depois, me veio a reflexão: como garotas que nem tinham nascido na época do último sucesso de vendas do Michael estavam tão contentes em ter um souvenir dele? Quem explica isso é o marketing.

Michael e a mídia

Michael Jackson foi uma das maiores personalidade da música de todos os tempos. Ao lado de Elvis, Marilyn Monroe, James Dean, Bob Marley, Che Guevara e Jimi Hendrix, será uma estrela do mundo pop eternamente lembrada. Porém, numa época onde a informação consegue dar a volta no globo em menos de 5 minutos e são fabricadas “estrelas” a cada quinze dias, nos últimos anos Michael ficou apagado e constantemente defamado. O mercado fonográfico produziu pérolas padronizadas e descartáveis como Jonas Brothers, NXZero, Hannah Montana e tantas outras para o consumo teenager, fazendo assim um verdadeiro ícone pop quase se apagar. Só que, após ser crucificado e escurraçado pela mídia, a mesma o ergue gloriosamente ao ponto mais alto, se aproveitando de tudo que ele já foi em seus áureos tempos. O marketing, generosa ou impiedosamente, tem grande parcela nessa ressureição póstuma de Michael Jackson.


A mídia se tratou de reascender os escândalos e escentricidades da vida de Michael, assim como também relembrou seus grandes momentos e sua poderosa influência no meio musical. O marketing tratou de tirar a poeira do produto Michael e vendê-lo da melhor forma possível e ainda fará isso por vários meses. Sairão filmes, documentários, coletâneas de sucessos, box com relançamento de todos os discos, dvd’s dos melhores shows e até de seu funeral. Onde o marketing puder atuar para vender a marca Michael Jackson ele o fará. Mas o marketing estaria sendo vilão nessa hora ou estaria fazendo um favor ao mesmo em homenagem ao que foi em vida?

Marketing: vilão ou mocinho?

Minha resposta é: nenhuma coisa nem outra. O marketing está apenas cumprindo seu papel, que é atender às necessidades da população. O público da estrela pop quer ver novamente o Michael em seu auge, e o marketing está estregando isso a eles. Os novos e jovens consumidores estão curiosos para saber quem é aquele cara que seus pais e outras pessoas mais velhas dizem que fará uma falta imensa na música e que sempre será o melhor, e o marketing está tratando de apresentá-lo a eles. Podemos encarar, em certos momentos, que a indústria está pilantrosamente endeuzando um homem que estava no limbo há anos. Contudo, encarando isso na realidade, é uma prática feita em todos os ramos de todos os mercados. Quando surgiu a moda de reviver a música dos anos 80 em festinhas temáticas, o que fez o mercado? Tratou de lançar coletâneas dos sucessos e promover festivais com bandas que só curtiu quem tem mais de trinta.

Se você fosse dono de um mercadinho com um estoque encalhado de coadores de pano por conta da grande venda de máquinas de café e, de repente, viessem 20 ou 30 pessoas por dia comprar os antigos coadores porque foi veiculado no Jornal Nacional que o café feito tradicionalmente é mais saudável, o que você faria? Provavelmente venderia tudo e compraria mais, aproveitando a onda até a sua última marolinha. O marketing em torno de Michael Jackson não fez nada além disso. Ele vendeu o que todos estavam a procurar, doesse a quem doesse.

A função do médico é curar, seja um bandido ou uma vítima. A função do engenheiro é construir, seja um prédio que servirá como um prostíbulo  ou uma escola. A função do marketing é vender (entre muitas outras funções, é claro), seja o novo e inútil astro adolescente, seja o eterno rei do pop.

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2 comentários para “MICHAEL JACKSON E O MARKETING POST MORTEM”

  • Noadia:

    Se fosse depender do “marketing” eu estaria odiando Michael Jackson como muita gente que eu conheço(mesmo depois de morto) e que não procura se informar e pesquisar para saber a verdade dos fatos e sim vai na onda da mídia sensacionalista que como você disse o escurraçou mas pelo contrário ela não o ergueu, pois, ela como sempre na vida do Michael mostrou apenas fatos tabloidianos infundados,leia-se inventados a seu respeito e quando pôde mostrar a verdade, se retratar (agora) não o fez, porém, o verdadeiro marketing serviu para que pessoas que não conhecia a verdadeira história de Michael Jackson corresse atrás do prejuízo e fosse atrás da verdade (para muita gente uma grande surpresa, pois compraram o que a mídia suja vendeu).

    Ps: Não vamos generalizar,há exceções, existem algumas poucas mídias que prezam pela verdade(que não vende) e não por fatos polêmicos e sensacionalistas que com certeza lhes darão ibope.

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