Inteligência Competitiva e Inovação Aberta em 2010
Por Alfredo Passos – fonte Administradores
Em artigo para Harvard Business Review, Henry W. Chesbrough e Andrew R. Garman, procuram mostrar que durante uma crise séria, é comum a empresa cortar “P&D”, ou seja, Pesquisa & Desenvolvimento e se concentrar no básico.
Sem dúvida alguma, esta realidade é muito presente nas empresas no Brasil, independente de crise. Mais vale se preocupar com as vendas do final do mês do que com o final do mundo. Questões de sustentabilidade, portanto, a parte.
Mas a inovação, segundo os autores, não precisa ser abandonada. Ao instalar certos ativos e projetos fora dos próprios muros, a empresa pode preservar oportunidades de crescimento futuro e, ao mesmo tempo, proteger o core business, ou seja, o seu negócio.
Chesbrough e Garman identificam cinco lances estratégicos que abrem a porta para a inovação ao, paradoxalmente, transferi-la para fora.
Essa modalidade de inovação – inovação aberta de dentro para fora – inclui deixar que terceiros invistam e toquem seus projetos; ou se desfazer de certas atividades inovadoras e ficar apenas com uma participação.
Seja qual for a abordagem, para superar os desafios culturais e organizacionais desse tipo de inovação aberta é preciso abordá-la de forma holística e colocá-la sob a liderança de altos executivos em papéis estratégicos.
Mas como fazer isso?
É exatamente nesta hora que Inteligência Competitiva pode ser decisiva para contribuição neste processo.
A inteligência, conforme Kahaner (1996), é um imperativo devido a fatores como a velocidade dos processos de negócios, a sobrecarga de informações, o crescimento global do processo competitivo com o surgimento de novos participantes (novos concorrentes, grifo meu), a concorrência mais agressiva, as rápidas mudanças tecnológicas e as transformações acarretadas pela entrada em cena global de entidades como a União Européia (UE) e o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), além do Mercosul.
O ciclo de quatro fases da inteligência
Miller (2002), menciona as quatro fases do ciclo de inteligência:
- A identificação dos responsáveis pelas principais decisões e suas necessidades em matéria de inteligência;
- A coleta de informações;
- A análise da informação e sua transformação em inteligência;
- A disseminação da inteligência entre os responsáveis pelas decisões.
A coleta de informações em inteligência
Depois de identificar os usuários e suas necessidades, os profissionais começam a coletar informações – segunda fase do processo.
Nessa etapa, a equipe obtém informações relevantes a partir de fontes primárias e secundárias. E também determina os processos de coleta mais adequados e os modelos analíticos. Sem um roteiro adequado, qualquer processo perde o rumo, segundo Miller (2002).
As fontes primárias são muitas vezes experts em setores determinados. Fontes primárias devem ser mais valorizadas devido à sua exclusividade.
Ao contrário, fontes secundárias, impressas, eletrônicas, digitais, não são exclusivas e podem ser facilmente acessadas por todos os interessados no processo, inclusive concorrentes.
Assim, para que essa modalidade de inovação – inovação aberta de dentro para fora – inclui deixar que terceiros invistam e toquem seus projetos; ou se desfazer de certas atividades inovadoras e ficar apenas com uma participação, possa acontecer, um profissional de inteligência competitiva poderá reunir as informações necessárias, identificar padrões e tendências significativas para empresa.
Ao buscar insights exclusivos e relações até então não decifradas entre os dados, inteligência competitiva pode fazer a diferença para que um processo de inovação aberta, possa efetivamente acontecer em uma empresa.
Fontes:
- Harvard Business Review, Dezembro 2009.
- Kahaner, L. 1996. Competitive Intelligence: From Back Ops to Boardrooms – How Businesses Gather, Analyze, and Use Information to Succeed in the Global Marketplace. NY:Simon & Schuster.
- Miller, Jerry P. O Milênio da Inteligência Competitiva. Porto Alegre: Bookman, 2002
*Alfredo Passos, apassos@espm.br, Partner da Knowledge Management Company, Professor da ESPM e autor do livro Inteligência Competitiva – Como fazer IC Acontecer Na Sua Empresa, pela LCTE Editora.




