Em defesa de um novo modelo de Escritório de Gestão
Por Anderson Quadros

A propósito desse tema, Kaplan e Norton (2005) identificaram que apenas 5% dos colaboradores das grandes empresas têm conhecimento e compreendem a estratégia das organizações às quais estão engajados. Um dado intimidador, esse número coloca em cheque a eficácia e a eficiência de mecanismos produtivos, representando o abismo existente entre diversas áreas que deveriam, por princípio, compor um time unificado.
Partindo dessa observação, proponho uma reflexão sobre um novo modelo de Escritório de Gestão, com fundamentos não apenas para definir, observar e reportar questões referentes às questões técnicas de Planejamento Estratégico, mas capaz também de adaptar e integrar filosofias distintas, tornando realmente tangíveis e claros os objetivos da organização.
Gestão e Planejamento Estratégicos
Gestão Estratégica (SEM) é um modelo formado por estruturas de relacionamentos e processos a partir dos quais são analisados ambientes, estabelecidos objetivos, definidas metas e examinados os desempenhos dos diversos níveis de infra-estrutura da organização, em um processo contínuo e iterativo que busca manter a organização na direção planejada, rumo a seus objetivos. Na prática, contudo, muitas vezes o Escritório de Planejamento Estratégico é estabelecido em um patamar distante das operações, dos projetos e da infra-estrutura da empresa, o que resulta em fragilidade na integração entre o Planejamento Estratégico e os colaboradores locais.
Minha proposta, elaborada a partir da análise de cases bem sucedidos, apresenta um modelo de escritório de gestão que unifica Escritório de Gestão Estratégica (OSM), Escritório de Projetos (PMO) e Escritório de Processos (BPMO), buscando suprimir visões conflitantes e esforços em duplicidade, que atualmente resultam na falta de inteligibilidade das mobilizações realizadas dentro da organização.
Um novo modelo de Escritório
A adoção de um escritório de gestão robusto e integrado, além de otimizar a competência de cada grupo, favorece a identificação de gargalos, a redução de processos desnecessários, o gerenciamento de riscos e, em especial, propicia a devida difusão da informação, em todos os níveis e escalas da cadeia de valor.
Adicionalmente, proponho que esse escritório não seja formado apenas por especialistas nas áreas gerenciais, mas também por colaboradores das linhas funcionais, geralmente mais aptos a identificarem disparidades entre especulações científicas e ações de linha-de-frente. Dessa forma, os integrantes desse escritório tornam-se mais capazes de visualizar e compreender o funcionamento global da máquina corporativa, maximizando os esforços coordenados de todos os colaboradores da corporação e aprimorando o processo de tomada de decisões.
Em busca de uma nova CULTURA ORGANIZACIONAL
Com esse novo modelo de escritório em ação, busca-se a definição de boas práticas moldadas à realidade de cada empresa. Somente então parte-se para a tradução do Planejamento Estratégico em projetos e processos tangíveis, claros e mensuráveis, que sejam largamente reconhecidos pelos colaboradores da organização, bem como alinhados às competências e infra-estrutura da empresa, estimulando uma profunda Mudança Cultural em busca da excelência produtiva.
Fonte: Portal da Administração




