Não deixe para mudar aos 45 do segundo tempo
Por Júlio Sérgio Cardozo
Olhar o inesperado acontecer é deixar sua vida nas mãos da sorte e sabemos que nada cai do céu. Ir traçando dia após dia seu futuro permitirá alcançar os sonhos desejados!
Quando conheci a coach Mariella Gallo, 39 anos, fiquei admirado com sua ousadia e força de vontade. Há quatro anos, ela decidiu largar uma carreira sólida – com passagens por grandes empresas como Monsanto, Arcor e Agfa Photos – para colocar em prática seu plano B. Sua meta era chegar aos 45 bem financeiramente e ter uma estabilidade profissional que sabia ser difícil alcançar se permanecesse no mundo corporativo.
“Quando olhava para muitos colegas que eram descartados, pensava: Será que vou durar mais dois ou cincos anos aqui?”, disse-me. Ávida por atingir outro patamar do que o conquistado até ali, percebeu que talvez não concretizasse seus objetivos se continuasse do jeito que estava. Entendeu que o futuro estava em suas mãos e foi, então, que partiu para um negócio próprio.
Dinheiro não era problema. Desde cedo se acostumou a guardar dinheiro, cultura herdada dos pais uruguaios, que ao desembarcarem no Brasil anos atrás sabiam que não teriam direito a aposentadoria do Governo. Com uma boa poupança em mãos, alçou voo solo. Até que no meio do caminho descobriu que tinha outra vocação: ouvir os dilemas e anseios das pessoas.
Não deu outra, refez a trilha de seu destino e hoje, além de dar aulas de MBA, atua como coach. “Confesso que foi uma opção difícil. Nas duas situações, mudar de rota provocou aquela sensação de friozinho na barriga”, revelou-me Mariella. Mesmo diante das incertezas, ela reconhece que só quem desbrava o mundo de peito aberto enxerga as oportunidades. Assim, ela pode encontrar sua identidade e descobrir sua verdadeira paixão. É feliz com o que faz.
Sabemos que mudar não é algo tão fácil assim. O ser humano se acostumou ao comodismo e não foi preparado para começar tudo do zero, sobretudo quando se está com mais de 40 anos. Há alguns meses escrevi um post falando sobre essa questão de mudar e a repercussão foi tanta, que resolvi fazer um artigo. No livro “O Melhor Vem Depois” falo sobre a importância de planejar o futuro, outro ponto ignorado pelas pessoas. O brasileiro, aliás, não pensa no que virá, só vive o aqui e agora. Um grande erro.
Assim como Mariella, milhares de pessoas têm sinais de que seu prazo de validade no mundo corporativo ou em atividades nas quais estão envolvidas vai acabar (em muitos casos, já acabou). O problema é que ficam inertes, preferem a posição de defesa, rezam para que nada aconteça e os tire da zona de conforto. Até que o dia “D” chega, o desespero bate à porta. O que fazer?
Infelizmente, ficar olhando o inesperado acontecer é deixar sua vida nas mãos da sorte e sabemos que nada cai do céu. Ir traçando dia após dia seu futuro não só garante que o infortúnio não o atinja, como permitirá alcançar os sonhos desejados. Mas para isso, talvez seja necessário mudar de rota no meio do caminho. Quem fica atento aos sinais que a vida dá, certamente conseguirá trilhar um rumo diferente na hora certa.
É simples assim? Claro que não. Outro dia Mariella me confessou que uma proposta para atuar em consultoria a tinha deixado balançada. Sua luta diária em carreira solo não é fácil, quase não sobra tempo para a vida pessoal entre as sessões de coaching de seus clientes e as aulas de MBA. Mas ela também sabe que o destino está em suas mãos e talvez a volta para o mundo corporativo dure no máximo mais cinco anos – quando estará com quase 45 - idade que estabeleceu como meta chegar bem resolvida.
Da mesma forma que dali em diante, talvez se veja sem perspectivas futuras e refém das empresas. “Se aceitar o convite, voltarei a não ser a senhora do meu destino e esperar ser descartada a qualquer momento”, desabafou Mariella. De fato, uma decisão nada fácil. No entanto, precisamos aprender que a vida nos cobra todos os momentos, seja uma mudança de emprego ou o simples trajeto diário para o trabalho.
Algumas vezes acertamos, outras erramos. Não há como escapar. O que importa é ter a sensação de que as ações necessárias foram tomadas. Só não deixe para os 45 do segundo tempo. Você pode não sobreviver antes do apito final. Planeje agora sua vida e tenha um futuro de sucesso.





